Ah, o verão... Como era bom abrir a janela do quarto e ver aqueles belos pés de girassóis, com suas cores vibrantes e suas pétalas perfeitas, quase que deixando o resto das plantas do quintal em preto e branco. Sentir o cheiro do mar, como se ele estivesse diante dos meus pés, o canto dos pássaros livres, e a Brigitte chorando na porta para que eu a abrisse e ela pudesse fazer xixi na grama e inspecionar o quintal para se certificar de que nenhum gato havia rondado a casa durante a madrugada.
Enquanto ela andava freneticamente de um lado para o outro com o focinho quase se encostando ao chão e sua respiração acelerada, – sinal de que algum gato esteve ali – eu procurava a tesoura para abrir a caixinha de leite. Como de costume, fiz meu Nescau gelado de toda manhã, peguei minha caneca e fui buscar o jornal, que estava com o plástico molhado do sereno. No céu havia muitas nuvens, não se via o sol.
Ah, de novo não... Mais um passarinho morto embaixo da macieira. Brigitte estava mesmo certa em relação ao gato. Ela tinha um faro impecável.
Caneca de Nescau pela metade, jornal na mão, Brigitte mais calma. Hora de voltar para dentro.
Com passos pesados de quem recém acordou, caminhei em direção à varanda, aonde deveria ter um dos meus adorados pés de girassol.
Vi um pé de girassol, mas ele estava morto. Como eu não o vi morrendo? Eu não queria acreditar no que estava vendo, todas as manhãs eu os olhava hipnotizada com tamanha beleza, e naquele momento percebi que o tempo passou e eu não fui capaz de perceber, de mudar e de viver.
Perguntei-me aonde minha mente esteve durante esse tempo, e meu pensamento vagou por muitos momentos, possíveis lembranças que eu me perguntava se realmente haviam acontecido ou se eu apenas as imaginava tentando criar explicações para o que havia acontecido, mas a resposta eu não pude encontrar.
Bianca Hennemann.
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