sábado, 30 de abril de 2011

Calmo.

Ele estava dormindo ao meu lado, e por um segundo pensei que fosse mentira. Era como um sonho dos mais doces e agradáveis. 
Me virei e o observei por um tempo, evitando tocá-lo para que ele não acordasse e eu pudesse continuar olhando por mais algum tempo. 
Cheguei mais perto tentando me mexer o mínimo possível e fui aproximando meu nariz de seu pescoço, para poder sentir o cheiro que mais me agradava. O cheiro do meu amor.
Diminuí o ritmo da minha respiração e fiquei intacta, fingindo dormir, mas pensando no nosso futuro juntos.
Ele se mexeu, mas continuava dormindo. Virou-se e ficou de frente para mim, me abraçou forte contra seu peito me fazendo ouvir as batidas do seu coração, tão calmas e tranquilizantes quanto aquele momento.

Mãe.

Eu queria ser criança pra sempre. Queria ter pra sempre alguém que lavasse as minhas roupas e  me abraçasse no meio da noite quando eu acordasse assustada de um pesadelo terrível.
Alguém que inventasse uma história boba só pra me distrair enquanto o médico tirasse o gesso da minha perna fraturada, alguém que realmente fosse me amar independente de qualquer coisa a vida inteira e me apoiar em todas as minhas escolhas. Alguém que cuidasse de mim do jeito que tu cuidas, mãe.

domingo, 24 de abril de 2011

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Odeio.

As vezes não suporto ouvir tua voz dizendo que queria me abraçar e ficar assim comigo. Odeio imaginar tua boca na minha e me bate uma vontade de correr pra longe e esquecer de tudo isso.
Odeio quando tu diz que queria ver o sol nascer na praia junto de mim, e odeio mais ainda ter que odiar tudo isso.
Odeio tudo isso porque é o que eu mais quero ter e não posso.




22/04/2011          05:35 a.m.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Só ele.

Com ele é diferente, ele é diferente. Colocou uma certeza sobre outra e mudou sentimentos que um dia pensei que fossem eternos. Hoje a única pessoa que desejo é ele, e ele sabe.
Apenas isso basta.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Rosto.

Em seu rosto havia um belo sorriso estampado, mas o fundo de seus olhos mostrava realmente o que ela sentia. O sorriso apenas escondia suas lágrimas e tentava, de algum modo, amenizar a sua dor.

sábado, 16 de abril de 2011

Sabe o que é?

Sabe o que é? É esse sentimento que insiste em me perseguir, conter-me a tal ponto de fazer coisas inimagináveis. 
E eu prefiro não questionar nem ao menos julgar o que tão forte sinto.
Só sei que dentro do meu ser habita muito mais de ti do que de mim mesma.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Folhas.

Ela estava deitada na grama apenas observando as folhas das árvores dançarem conforme o vento mandava, e por alguns segundos conseguiu esquecer de seus medos e afastar seus pensamentos ruins. Havia tempo que ela não se sentia assim, livre de tudo que pudesse 
impedir sua vontade de viver.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Estúdio.

Um homem sentado na quietude de seu estúdio, segurando a foto de uma mulher, há dor no olhar dele.
Recordou-se da última vez que havia sentido o perfume de seus cabelos pretos e macios. Recordou-se do toque aveludado de
sua pequena mão em seu rosto. Ela era perfeita.
Ele se perguntava por que aquilo havia acontecido, por que ela havia tomado aquela decisão, que era dolorosa mas ao mesmo tempo era aliviante. Doía tanto... Em seus olhos não mais felizes, muitas lágrimas formavam-se, e logo escorriam pelo seu rosto. Escorriam até chegar a foto, juntando-se ao rosto dela. A tinta da foto escorria junto às lágrimas, manchando
e deformando-a.
Não havia outro jeito de expressar o quão intensa era  sua dor a não ser através das lágrimas e do silêncio pesado que tomava conta de tudo ao seu redor.
Ela havia dito adeus, e isso era como uma flexa que partia seu coração ao meio. Não podia discordar com o fato de que isso era passageiro, ele sabia que toda essa dor que sentia um dia iria desaparecer, mas enquanto durasse ele teria que ser forte e achar um meio de conseguir se manter vivo convivendo com esse tormento.
Seu sofrimento podia acabar naquele exato momento, bastavam algumas cápsulas ou mesmo algo cortante, mas ele decidiu que daria mais uma chance para a sua vida. Se decidisse partir, não deixaria ao menos um adeus, porque ninguém nesse  mundo o merecia.
Pensou então em tudo o que lhe fez sorrir durante todos os seus anos de vida, e lembrou de todos os momentos em que havia passado ao lado dela. Um sutil sorriso formou-se em seus lábios cor de sangue ao lembrar-se do seu lindo jeito de sorrir e de
sempre conseguir com que as coisas se tornassem melhores e mais fáceis para ele.
Deitou-se lentamente no chão com a foto ao seu lado. Adormeceu. Acordou com a doce voz dela, sussurrando coisas belas em seu ouvido. Sentou-se pensando por alguns segundos estar louco e olhou por todos os lados, procurando-a.
Voltou à realidade, sabendo que não podia mais sentí-la, mas que ela ainda estava intacta dentro dele e lá permaneceria por toda a eternidade.

Amantes.

Sua camisola branca e seu corpo agora estavam banhados em grandes respingos de sangue de seu amado, sua mão segurava a arma que havia tirado sua vida, e diante dela, o espelho grande e com moldura de bronze refletia toda a cena do amor, o amor que não podia existir, o amor que toma conta dos amantes.
No momento exato em que havia atirado um filete de sangue escorreu do meio de seu peito em direção à barriga, vários respingos de sangue tomaram conta do quarto, mostrando o momento exato de sua morte. Ele a lançou um olhar de confusão e decepção,
seus olhos ficaram fixos em algo mas ao mesmo tempo pareciam perdidos, e de repente, foi como se o peso do mundo caísse sobre suas pernas e ele não fosse forte o suficiente para suportá-lo. Desabou no chão, em frente ao espelho. O fascinante espelho que escondia em seu passado os segredos, as brigas, as dores, as noites de amor e tudo o que se pode
esperar de duas pessoas loucamente apaixonadas e amedrontadas pela covardia agora refletia um corpo sem alma.
Ela ficou intacta, olhando o corpo nu de seu amado caído sobre o antigo piso de madeira, ensanguentado, manchado, ferido, morto. Ele não queria que ela tivesse tirado a sua vida, mas esse era o único jeito que ela havia encontrado para que os dois pudessem
ficar juntos para sempre. 
Largou a arma em cima da cama, acendeu um cigarro e deitou-se no chão, ao seu lado, em cima da possa de sangue que havia se formado. Apoiou um dos braços em seu peito e o outro no chão, e examinou seus olhos negros pela última vez e soltou a fumaça de cigarro na direção deles. Fechou lentamente o direito e depois o esquerdo com a ponta  dos dedos e ficou a observar seu belo rosto por algum tempo, seus últimos minutos de vida. Chorou pela última vez ao se lembrar da profundidade de seu amor. Era sempre difícil pensar nisso porque ela era tomada de repente pela certeza de que aquilo tudo era meio confuso por se tratar de uma coisa tão grandiosa, intensa mas sem uma explicação racional.
Estava decidida a partir junto com ele, em uma viagem eterna para um lugar tranquilo longe de tudo o que pudesse impedir o amor e a felicidade de ambos. Acreditava que deixando essa vida para trás poderiam ter um final longe de tudo que se parece concreto demais, longe do mundo, em um lugar só dos dois, sem nenhuma interrupção.
Passou a ponta dos dedos sobre seus lábios, sobre suas sobrancelhas, sobre seus cabelos, e aproximou o nariz de seu pescoço, para poder sentir o cheiro dele pela última vez. Fechou os olhos cheios de lágrimas enquanto ainda podia sentir seu perfume.
Beijou delicadamente seus lábios e levantou-se lentamente, andou até a cama e pegou a arma, então deitou-se novamente ao lado de seu amor.
- Essa é a maior prova de amor do mundo. - Ela sussurou, num misto de lágrimas, felicidade e vitória.
Posicionou a arma em seu peito e puxou o gatilho. Só o que se ouviu foi um barulho alto e estonteante, e logo depois, a calmaria.
Tão rápido quanto piscar. Agora a eternidade era deles.